terça-feira, 2 de setembro de 2008

Ficção

O impacto da revelação, veio de subito, como se a incosciência já estivesse guardando aquele momento e a consciência estivesse se enganando propositalmente. Ela sempre fora uma menina independente dos sentimentos, seu único desejo era crescer intelectualmente para o próprio desfruto, nunca procurou em ninguém a razão de continuar com uma rotina. Sem perceber ela ficou parada na frente do espelho, sem ao menos piscar, apenas mergulhando nas suas próprias indagações.
Não era a primeira vez que isso acontecera, toda vez que se interessava por alguém arranjava alternativas para um novo mistério. É disso que ela gosta, do que não é entregado por mãos tão fáceis, do que é absorvido pela beleza do desconhecido. As pessoas enxergavam nela, a mesma coisa: um grande mistério a ser quebrado. Não daqueles que precisam de um motivo, mas daqueles que são o motivo.
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(continua)

quarta-feira, 30 de julho de 2008

poemas da revista Piauí

Eles lutam pela paz / MARC FALKOFF
Châkir ‘Abdurrahmân ‘Âmir

Paz, eles dizem.
Paz de espírito?
Paz na terra?
Paz de que espécie?

Vejo-os falar, discutir, combater –
Que espécie de paz procuram?
Por que matam? O que estão planejando?

Serão palavras vazias? Por que discutem?
Será tão simples matar? É esse o seu plano?

Sim, é isso, claro!
Eles falam, discutem e matam –
Eles lutam pela paz.

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Autor: E. E. CUMMINGS
numa forma verdadeiramente
em curva
minha alma
adentra

pressente toda a
miudeza dissolvida
pela obscena suposição
da fabulosa imensidade

o céu gritou
o sol morreu)
o navio paira
sobre mares de ferro

respirando altura comendo
precipícios o
navio transpõe
murmurantes montanhas de prata

que
somem(e

era noite

e por só esta noite
uma forma prodigiosa se move
tripulada e pilotada
por espírito que o meu é

sexta-feira, 11 de abril de 2008

O escuro.


Ele é tão mais misterioso que aquele
feixe escandaloso de luz.
Ao invés de corrermos para ele
vamos na direção contrária
procurando o que é óbvio,
se escondendo na rotina.
Quando penso nele,
me veêm morcegos na cabeça
espíritos não decifráveis
e uma eterna admiração
por aquilo que continua
sendo não desvendado.
A cada momento ele está ai
dentro de você
dentro de mim
se escondendo no meio
de entranhas ainda não descobertas
no meio de mais algum
lugarzinho que você
não quer
enxergar.


sábado, 15 de março de 2008

Homenagem ao meu Poeta Preferido

ai ai..
estava eu aqui, procurando um novo layout para esse blog, mas infelizmente não o achei...
vou tentar de novo, mas acho que não vai rolar.
Enfim, ontem era pra sair um post em homenagem ao Dia do POETA
já que dia 14/03 é esse dia, além de ser o dia do nascimento de um dos cineastas mais privilegiados no Brasil: Glauber Rocha.
e hoje... dia 15 é dia do consumidor, HAHAHA, que ironia, né?
colocar almas totalmente diferentes de um dia para outro...
é claro que no mundo capitalista de hoje, ninguém escapa de ser um ''consumidor''
mas tentamos reger para o outro lado...

Enfim, vou fazer minha homenagem ao meu poeta (desde sempre) preferido:

Mario Quintana


me declaro uma verdadeira admiradora de sua simplicidade misturada com inteligência...
ora, esse cara É FO**!
não existem palavras para descrever a alma desse anjo, que desceu à terra para nos darmos váárias lições...
e ontem, naquele dia tão especial, fiquei relendo suas obras e selecionei essas para homenagea-lo:

"
Quem faz um poema abre uma janela.
Respira, tu que estás numa cela abafada,
esse ar que entra por ela.
Por isso é que os poemas têm ritmo
- para que possas profundamente respirar.
Quem faz um poema salva um afogado."

"A amizade é um amor que nunca morre."

"E um dia os homens descobrirão que esses discos voadores estavam apenas estudando a vidas dos insetos..."

"Esses padres conhecem mais pecados do que a gente..."

"O Poema

O poema essa estranha máscara mais verdadeira do que a própria face."

Gente, se eu não me controlar, vou colocar a obra inteira do cara... pois eu realmente o admiro, assim como admiro Fante. Sou uma especialista em Quintana e tenho o maior orgulho de me talhar com tal conhecimento, pois ele realmente é belíssimo.

quarta-feira, 5 de março de 2008

3 poemas

É na realidade que eu crio (!)

Quanto mais ando pelas ruas,
percebo que mais pessoas se privam dela.
Enquanto andam, colocam fones de ouvido
para se misturar apenas consigas mesmas.

Percebo isso e me sinto
uma privilegiada, pois não sou dessas
que se isolam, mas sim
daquelas que buscam sua criatividade na realidade.

Apenas percebendo ou
até mesmo ajudando
Fico entre milhões me
sentindo única.




FaculdadeS
Do meu lado sinto uma
opacidade maior do que os enfeites
Enfeites esses que montam gente.
A pessoa passa a SER
os penduricalhos
e a alma é esquecida
em meio a tanta
arrongância e ignorância
de personalidade.
Ah! O outono...
O ínicio das folhas secas
começam a anunciar a
chegada do outono.
Onde o clima não passa de
leves refrescos diários.
Durante a noite a relva
cai mais forte e chega a nos atingir
a tal ponto que a
coberta é retirada do armário.
Tenho um carinho especial
por essa estação, já que ninguém sofre
cruelmente de calor e
estamos nos preparando para
o mesmo sofrimento no inverno.
Acho essa estação peculiarmente alegre,
onde a beleza da natureza é descoberta
de formas diferentes
que normalmente nos deixam inquietos,
assim como esse poema.